AS DORES NEUROPÁTICAS X O PODER DO YOGA
B.K.S Iyengar“Yôga é como música: o ritmo do corpo, a melodia da mente e a harmonia da alma criam a sinfonia da vida.”
A vida é uma dança e bailar é demasiado belo. Sim, com certeza! Mas, quando nós sentimos dor, essa dança perde o passo, o compasso, ela gira sem o balanço, troca o ritmo e perde o encanto.
É como tentar dançar com alguém que insiste em pisar no nosso pé: cada movimento se torna um alerta, cada passo exige cuidado, cada tentativa gera tensão.
As dores neuropáticas fazem exatamente isso.
Elas não surgem como um machucado visível, nem seguem uma lógica simples. São dores persistentes, silenciosas e, muitas vezes, incompreendidas — até por quem as sente. Queimam, formigam, latejam. Aparecem sem aviso e permanecem sem pedir licença.
Durante muito tempo, convivi com esse tipo de dor. A Síndrome de Raynaud fez parte da minha experiência corporal, trazendo desconforto, limitação e um cansaço que não era apenas físico. A dor não ocupava só o corpo — ocupava o pensamento, o humor, a paciência, o modo de estar no mundo.
Quem convive com dor crônica sabe: não se trata apenas de suportar. Trata-se de aprender a existir apesar dela. E, muitas vezes, os tratamentos convencionais aliviam, mas não alcançam o todo. O corpo melhora, mas a mente continua em alerta. O sintoma cede, mas o estado interno permanece tenso.
Foi nesse espaço — entre o alívio parcial e a escuta profunda — que o Yoga entrou na minha vida.
O Yoga não chegou como promessa de cura milagrosa. Chegou como prática. Como presença. Como convite à escuta do corpo sem violência. Aos poucos, aprendi a respeitar limites, a respirar dentro da dor, a perceber tensões antes que se transformassem em sofrimento intenso.
O poder curativo do Yoga não está em eliminar a dor de forma imediata, mas em transformar a relação com ela. A respiração consciente acalma o sistema nervoso. Os movimentos suaves reorganizam o corpo. A atenção plena reduz o medo, que muitas vezes intensifica a dor.
Com o tempo, a dança foi mudando. O corpo deixou de ser um campo de batalha e passou a ser território de diálogo. As dores não desapareceram por completo, mas perderam o controle. Já não comandavam cada gesto, cada escolha, cada dia.
Yoga é constância, não espetáculo. É disciplina silenciosa. É um reencontro gradual com o próprio corpo, sem exigência, sem comparação, sem performance. E isso faz diferença — especialmente quando a dor insiste em permanecer.
As dores neuropáticas exigem mais do que medicamentos. Exigem escuta, paciência e práticas que integrem corpo, mente e respiração. O Yoga não substitui tratamentos médicos, mas amplia possibilidades. Ele devolve ao corpo a chance de se reorganizar e à mente a possibilidade de descansar.
Quando a dança volta a ter ritmo, mesmo que mais lenta, algo se transforma. A dor já não define tudo. A vida encontra novos movimentos. E, pouco a pouco, o corpo reaprende a habitar o próprio espaço com mais gentileza. Só respira – vai…
Gratidão,
Dan


