Se a palavra que vais pronunciar não for mais bela que o silêncio, não a digas nada
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PALAVRAS PESADAS

A responsabilidade no uso das palavras é um ato de amor

“Se a palavra que você vai pronunciar não for mais bela que o silêncio, não a diga.”

Você já se sentiu ofendido — ou já ofendeu alguém — com palavras pesadas? Dizem que ninguém tem o direito de se sentir ofendido. Será mesmo? Os sentimentos nunca precisaram de autorização para existir. Pelo menos, eu nunca vi alguém pedir licença para se sentir chateado, envergonhado ou emocionado.

Os sentimentos simplesmente aparece, surgem de forma involuntária, as vezes são inconvenientes e profundamente humanos. As emoções humanas não são controláveis, ninguém escolhe de quem vai gostar ou de odiar. Isso, transformar-nos-ia em robôs perderíamos a essência do ser humano.

Tudo bem: talvez seja o meu constrangimento exacerbado pelo fato de eu ter Fenômeno de Raynaud.

Ainda, que o contrário tenha a sua verdade, o que é realmente desnecessário é usar palavras pesadas com alguém e mais desnecessário ainda é achar que se tem o direito de determinar o que o outro pode ou não sentir. Ora essa. Isso, sim, é abuso. Um abuso mascarado de opinião, travestido de sinceridade mal calibrada.

Você sabe o que diz? Ou apenas fala pelos cotovelos, sem a menor ideia do peso, do alcance e do impacto daquilo que você deixa escapar pela boca?

Qual a diferença?

Todos nós sabemos a diferença entre elogiar e ofender, não é mesmo?

Afinal, não podemos nos esconder atrás da ignorância. Além disso o nosso vocabulário é riquíssimo e abarca multiplas palavras que se encaixam em todas as ocasiões — palavras que enaltecem ou empobrecem. Portanto, todos sabem quando estão elogiando ou ofendendo alguém.

Em outras palavras, nós podemos afirmar que qualquer pessoa distingue perfeitamente quando está com boas intenções ou não. Consequentemente, não se trata apenas de uma questão literária; é também uma questão de entonação, dignidade humana, consciência e honestidade intelectual.

A forma como falamos com as pessoas ao nosso redor é um indicador de extrema importância para atrairmos aqueles que também se expressam com o mesmo peso das palavras, com a mesma energia. Distribuir flores na voz ainda é a melhor forma que temos de expressar o amor — assim, conseguiremos atravessar este bardo chamado existência com mais suavidade. Podemos dizer o que quisermos; eu não propus o contrário. No entanto, estou apenas provocando filosoficamente. Entretanto, essas coisas não nos isenta de responsabilidade.

Mais uma vez, já é sabido por todos que existem palavras pejorativas, xingamentos, termos de baixo calão — o nosso idioma é riquíssimo, generoso e, às vezes, perigoso. É justamente por isso, é de uma covardia imensa quando alguém diz que “não quis ofender”, escondendo-se atrás de frases calculadamente ambíguas. De duas, uma: ou a pessoa não sabe o que diz, ou sabe muito bem o que está fazendo e escolhe falar pelos cotovelos igual à vizinha fofoqueira da vila. Por fim, as ofensas são tão claras quanto os elogios. Aquela saída “à francesa” do famoso “ops! não tive a intenção de magoar” — não cola comigo.

Desculpe lá, teve intenção, sim; caso contrário, teria optado pelo silêncio. Quando nós afirmamos que alguém “distorce as coisas”, estamos, sim, ofendendo. De fato, estamos insinuando que a pessoa é mentirosa, desonesta, adulteradora da verdade porque distorcer significa alterar a forma, o sentido ou a intenção de algo. Desvirtuar. Manipular. Adulterar. A lista é longa.

Agora me diga: quando dizemos que alguém distorce, estamos sendo gentis? Não. Estamos apenas nomeando, com todas as letras, a intenção por trás da palavra.

Melhor tomarmos mais sopa de letrinhas antes de sair por aí distribuindo ofensas gratuitas e cultivando, em torno de nós, um campo de energias pesadas que nada acrescentam.

Quer mesmo saber o segredo para progredir e ter relações que somam?

Cerque-se de pessoas bonitas — daquelas carregadas de palavras que elevam, que enobrecem, que enriquecem, que sustentam o amor e tornam a vida mais leve de viver.

Gratidão

Dan Dronacharya

🖋️ Nota da autora 


O silêncio tem beleza própria, e a palavra deveria nascer apenas quando pudesse florescer mais do que ele. Ofender não é acidente: é uma escolha ou um descuido. Ambas deixam suas marcas.

Não adianta nada dizer que “não tive intenção”, é varrer o caco para debaixo do tapete. Palavras tem poder elas moldam as realidades físicas e mentais de uma pessoa. Com isso elas podem elevar ou podem ferir. Saber o que se diz é mais do que gentileza: é dignidade.  

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