Não há ninguém aqui, onde estão todos? Os imensos corredores frios, silenciosos e sem vida como concreto armado
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O SILENCIAR DAS VOZES

Quando eu consegui me ouvir, vi que eu estava sozinha. 

Não há ninguém aqui, onde estão todos? Os imensos corredores frios, silenciosos e sem vida como concreto armado. Os demónios calaram, onde estão as vozes? Na verdade é a paz nos assusta meus amores.
Bem, 
Reza a lenda que a paz mental é o cessar das muitas vozes que temos dentro da cabeça, dizem ainda que este silencio deixa-nos mais soltos e sorridentes. 
Sim! É verdade assim como também não é conto que devemos nos esforçar para que consigamos o tal sossego.
Infelizmente o silenciar dos demónios não nos trará paz de imediato, logo após o cessar das inúmeras vozes que lhe acompanharam por anos a fio, virá o desespero do que fazer com a imensidão que é o seu universo mental. 
O emudecimento demoníaco deixará o vazio que na verdade somos e não é fácil entender que não somos nada, que nós devemos nos construir e que nada vem pronto. 
Portanto, depois do vazio vem o entendimento através da percepção de que a palavra permanência é só mais uma lenda.
Perceberemos a impermanência e aprenderemos a compreender e a aceitar o mundo como é, e isso trará a paz que almejamos ou o bendito sossego como eu gosto de dizer. 😉 
Na verdade, as vozes são nossas carências frustradas, elas são as muitas idealizações que temos com relação a vida. Infelizmente para muitos de nós a vida é um verdadeiro desconstruir de sonhos e é este processo que gera as vozes demoníacas.
Penso que crescer e, portanto, ficar em paz é saber deixar tudo ir, é entender que a voz que retorna a si é apenas o eco da sua própria voz.  
Olhe ao seu redor, os corredores estão vazios, para onde foram todos? 
Com o passar do tempo aprenderemos a nos divertir com o silencio e por fim aprenderemos a ouvi-lo sem voz nenhuma. 
E, deste momento em diante saberemos discernir a diferença entre o sentir e o ouvir quando pronunciamos o mantra SO HAM. 
Por enquanto, deixemos o Sol brilhar mesmo que seja Inverno. 
Gratidão,  
Dan Dronacharya.