MURALHAS DE AMOR 

“Os ombros de uma mãe são muralhas silenciosas onde a vida se sustenta.”

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Quando criança, ainda bem pequena, eu pensava que o céu talvez nem existisse. Porque todas as vezes que eu olhava para cima, era o rosto da minha mãe que eu via. E isso me bastava. A certeza de que ela estaria por perto era tudo o que eu precisava para viver com alegria. 

Quando comecei na escola, o que eu queria era brilhar mais do que toda gente. Gostava de tirar boas notas só para ver minha mãe sorrir com os olhos. Aquele sorriso inteiro, que vinha de dentro, como quem confirma que valeu a pena. Pensava que era para isso que eu existia. 

O tempo passou, e as estações seguiram seu ciclo natural. A primavera trouxe cor, o verão calor, o outono suavidade e o inverno, silêncio. Cada momento da vida refletia-se na minha relação com ela — constante e transformadora. Ali dentro daquelas muralhas, eu crescia, dia após dia, dentro dessa dança invisível das estações. 

Quando a adolescência chegou com fúria e asas. Eu quis voar, transgredir, barbarizar. Quis me autoafirmar, ser mundo fora e dentro de mim. Mas minha mãe, que sempre soube o seu lugar de mãe, nunca me deu a sua anuência. 

Deixou-me viver as consequências de meus atos e mesmo com o coração em chamas, permitiu que eu tropeçasse. A dona Inês ensinou-me mais do que qualquer discurso ou escola. 

Mesmo sendo filha, agora também sou mãe. E entendo os nós na garganta, os medos que paralisam, a dor de não conseguir sempre presentear e o ciúme silencioso do tempo que leva os filhos para fora do ninho.  

 Eu agora compreendo que amar sem querer prender é um gesto de coragem rara e não é para toda gente. 

Hoje também sinto com o corpo inteiro, que o cheiro de um filho é o perfume mais, mais cheiroso da terra e não passa. 

Para uma mãe, o filho nunca crescerá completamente. Ele será sempre um ser a ser cuidado, guiado, abençoado. E, por mais que os caminhos se bifurquem, o olhar da mãe continua nos seguindo, como um farol que nunca se apaga. 

Hoje sei que as muralhas ao meu arredor não eram para me prender, essas muralhas, elas sempre me protegeram, na verdade não eram montanhas distantes nem castelos encantados. Eram os ombros da minha mãe. Fortes, silenciosos, firmes. 

 Ombros que sustentaram dores, medos, cansaços, silêncios e complicações emocionais sem se curvar ou esmorecer. Ombros onde, sem saber, eu construí minha coragem. 
E ainda que o tempo siga o seu rumo, haverá sempre, em mim, um céu inteiro feito dos ombros dela. 

Te amo, mãe

Dan Dronacharya

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Quando eu não puder falar, escreverei…

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