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A SIMPLICIDADE DA VIDA

“Tenha calma contigo, disse-me um sábio uma vez”

A vida não é complicada.
Nós é que insistimos em torná-la assim. Existe uma tendência quase automática de tentar explicar tudo, organizar tudo, justificar tudo. Como se a vida precisasse de um manual de instruções para ser vivida. Como se fosse possível reduzir a existência a uma lógica exata, previsível, controlável. Não é. A vida não funciona como uma fórmula matemática — e talvez o sofrimento comece justamente quando tentamos tratá-la como tal.

Fala-se muito em complexidade, em metas, em caminhos corretos, em sucesso, em métodos para alcançar felicidade. Pouco se fala sobre o óbvio: viver exige presença, não desempenho. A vida acontece no simples, mas o simples costuma ser subestimado porque não impressiona, não gera aplausos e não sustenta personagens.

Simplicidade não é pobreza de conteúdo.
É ausência de excesso.

É retirar o que sobra, o que pesa, o que foi acumulado apenas para corresponder. É perceber que muitas das dificuldades que carregamos não vêm da vida em si, mas das expectativas que colocamos sobre ela — e, principalmente, sobre nós mesmos.

Autenticidade, por sua vez, não é um estado iluminado nem uma virtude romântica. É um exercício constante de honestidade. É parar de se trair em pequenas doses diárias. É reconhecer quando estamos vivendo no automático, repetindo discursos, comportamentos e escolhas que já não nos representam.

Ser autêntico incomoda porque exige responsabilidade. Não há como se esconder atrás de papéis, justificativas ou culpas externas. Quando somos autênticos, deixamos de atuar. E atuar, apesar de cansativo, é confortável — porque mantém intacta a ilusão de controle.

A vida, no entanto, não responde bem ao controle. Ela responde à escuta.

Existe uma inteligência silenciosa na vida que não se revela no barulho, na pressa ou na necessidade de parecer. Ela se manifesta quando desaceleramos, quando abrimos mão da performance, quando paramos de disputar sentidos e começamos simplesmente a habitar o que somos.

Talvez viver seja menos sobre conquistar e mais sobre desapegar. Menos sobre acumular respostas e mais sobre sustentar perguntas. Menos sobre chegar a algum lugar e mais sobre retirar camadas que já não fazem sentido.

A vida não pede que sejamos extraordinários.
Ela pede que sejamos verdadeiros.

E, curiosamente, é isso que mais assusta.

Com gratidão,

Dan Dronacharya

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