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CAMINHOS DA ALMA

“Fui novamente a Tomar, só que desta vez passei por outro lugar e entre vielas, aldeias e montanhas, apaixonei-me de novo. Logo, eu fiquei grata por outra vez lá estar, óh terra linda! Ah, Tomar, é fácil demais te amar.”

Olá meus amores,
Reza a lenda que viajar é uma das coisas mais prazerosas que existem, mas também há aqueles que dizem que as estradas da vida são difíceis de percorrer e nos levam para onde não queremos ir, certo?
Mas, isso bem pode ser só mais um conto. Será que não podemos mudar o percurso, passar fora do pedágio e passear um pouco? Talvez poderíamos apreciar as aldeias e os vilarejos, que tal?
O sofrimento é regra ou somos nós que não nos conscientizamos de que podemos suavizar um pouco a nossa viagem? Ok, seja no carro, no trem, no avião ou no barco. O que você faz enquanto viaja?
Onde está o seu ser quando não está a conduzir? Você já reparou quanta beleza há ao redor ou você é do tipo que fica no celular totalmente imerso num universo que outra pessoa idealizou?
Se observarmos as coisas bonitas do caminho, poderemos sim mudar o curso da viagem mais importante e interessante que existe. Sendo assim, se não somos nós a conduzir, então poderemos direcionar nossos sentidos para despertar um lado mais positivo e quem sabe até permanecer num jeito mais bonito e sereno de ver a vida.
Portanto, sim! Será preciso desconectar de todas as lendas oriundas do exterior, ampliar a consciência e alcançar um outro nível no joguinho. Coragem, teremos que deixar de nos importar com as opiniões dos outros para prosseguir.
Você acha que consegue se desconectar ou também acha que isso é coisa de maluco?
Ultimamente tenho considerado a ideia de ser “anormal”, já me é interessante essa alcunha de maluca e que tem sido muito “normal” ser cada vez mais ausente.
A desconexão com o mundo nos alforria, tira-nos da marcha e promove a intensa e inabalável conexão com o Divino que nos habita em nosso interior, selando os nossos lábios e silenciando os pensamentos e harmonicamente libertando-nos das crenças limitantes que carregamos enquanto estávamos inconscientes.
Sendo assim, fugiremos de qualquer lugar que estejamos para seguirmos o Dharma de forma mais pacífica. Então, o caminho para junção com a alma superior se tornará tranquilo, com muita aceitação, sem discussões e reclamações da vida.
Convido-vos a um exercício?
Pare tudo, tire a sua mende do exterior e tente observar ao seu redor, você não precisará de muito tempo, tire um minuto ou trinta segundos que seja, inspire pelas narinas, retenha o ar nos pulmões e exale pelas narinas, não use a boca, não feche seus olhos, não os devia do que foi sugerido. Mantenha-os bem abertos e atentos. Sustente a respiração, não perca o foco, SEJA DISCIPLINADO. Sinta o despertar dos seus sentidos, aguce-os, perceba os aromas, ouça os ruídos e notes as faces serenas, falsas ou caricatas de quem está ao seu redor, tente observar tudo o que lhe cerca neste momento.
Continue, expanda o seu poder de percepção, abra o terceiro olho e note que as circunstâncias da vida são as mesmas, idênticas a uma lição antiga esquecida num quadro negro. Perceba isto e não desista, respire fundo e aprofunde, aguce um pouco mais a sua percepção, provoque-a, exija dela a aferição, faça isso silenciosamente e mentalmente.
Shh! Silencie e aquiete a sua mente, respire mais fundo e amplie um pouco mais a sua percepção, afira a sua percepção, seja honesto consigo e note que aquilo que vemos é maculado por muitas crenças. Tenha paciência consigo. Pratique pratyahara (abstração ou recolhimento dos sentidos) e continue, respirando e analisando, percebendo possibilidades e probabilidades.
Note que as coisas são como o sábio dizia:
“Existe, o que eu vi, o que você viu e o que aconteceu de fato.”
Pratique isso e aumente os momentos de prazer na sua vida. Com o tempo as discussões, as disputas de vaidades cessam e as nossas relações pessoais melhoram muito.
Eu tenho praticado este exercício, durante minhas viagens no trecho entre Santarém, Tomar e Ourém, a cada hora eu tenho de estar em algum lugar, ora com um médico ora com outro e sem contar com os muitos fisioterapeutas, as tantas análises e os inúmeros tratamentos.
Tudo isso para retardar um processo que nasceu comigo. Ando pensativa sobre a vida, as suas nuances e o encanto que a morte nos causa quando estamos fragilizados.
“a vida não tem oposto, a morte é, portanto o oposto do nascimento.”
E, por vezes é difícil, eu acho o processo complicado, entretanto, sei bem que isso acontece porque fomos educados para dificultar, lutar e sofrer.
Já pensei em reclamar, mas reza a lenda que eu não devo me estressar, pois, posso piorar as crises do insistente Fenômeno Raynauld.
Eu recorro sempre ao exercício descrito acima e foi assim que acabei cedendo, soltei o cabo de guerra e cheguei à conclusão de que o Deus que tantas pessoas buscam nos templos e mesquitas é a nossa própria vida. Me perdoei, cessei a busca e aceitei, sei que não sou uma mera semelhança, eu tenho tentado me tornar templo.
Tenho aprendido a apreciar e a passear enquanto viajo em busca de ter mais Deus, digo Vida enquanto respiro, perdi totalmente a pressa, a vontade de mudar as coisas, as pessoas, desacelerei o passo e reaprendi a gostar de viver no mato.
Moro no campo e fiz daqui um recanto de paz onde posso meditar, escrever e sorrir, por isso para o bem mental de todos, aqui eu só quero receber gente que gosta de conversar sem discutir.
Aqui em casa a paz fala com a alma da gente no canto dos pássaros, no som dos pinheiros que imitam o mar e na lareira em brasa com a lenha a estalar. Gosto do cheiro que sai das lareiras e gosto da voz mansa e doce do silêncio que vive aqui, é bom de ouvir. Por vezes ele nos escapa quando os corvos danam a crocitar. Eu adoro isto!
O silêncio brincalhão como ele só, impera totalmente aqui. Ele permanece soberano mesmo quando os sinos da igreja soam alto ao badalar avisando-nos de hora em hora e todo santo dia que temos um exemplo do que é amar.
Agora, conta vai!? . . . 🙂
Você fez o exercício? Relaxe, não precisa me responder de imediato, aperte o cinto e viaje um pouco, falaremos disto depois.
Por ora, deixemos o Sol brilhar ardentemente mesmo que seja inverno.
Com gratidão e amor,
Dan Dronacharya.