Há momentos em que é preciso parar e observar o rumo das águas e talvez escolher outro curso. Não para controlá-las, mas para entender para onde estão nos levando. Seguir no automático cansa. Ser levado pela corrente dos outros, mais ainda.
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O CAMINHO REAL PARA O AMOR

Da Disciplina à Aceitação

Aprendi disciplina cedo.
Não como virtude — como defesa.

Disciplina era o que me mantinha de pé quando sentir demais parecia perigoso. Organizar horários, cumprir tarefas, controlar impulsos, silenciar vontades. Disciplina me dava contorno. Eu funcionava, rendia e não desmoronava.

Por muito tempo, confundi isso com maturidade.

Só mais tarde percebi que a disciplina, quando usada sozinha, vira uma forma elegante de rejeição. Rejeição do corpo cansado. Da emoção inconveniente. Da falha humana que não se encaixa em planilhas internas.

Eu era disciplinada, também era demasiada dura
E dureza não é amor.

Aceitação não veio como iluminação. Veio como cansaço.
De me vigiar.
Cansaço de me corrigir antes mesmo de errar.
Desânimo de tentar ser alguém “melhor” do que eu era naquele dia.

Aceitar não foi relaxar. Foi encarar.

Aceitar-me foi olhar para minhas contradições sem tentar consertá-las imediatamente. Foi perceber que eu não precisava gostar de tudo em mim para parar de me violentar.

Então, eu descobri que ter disciplina sem acolhimento, na verdade não era ter nada de novo, nada de elevado, de amadurecido —era o mesmo de sempre. O velho e conhecido excesso de controle, só que agora ele veio disfarçado de virtude. O amor começou aí ou pelo menos foi à partir daí

Não voltou como um sentimento elevado, mas voltou como decisão na prática.

Amor mesmo foi parar de me moldar para caber em ideias bonitas.
Foi entender que quem ama não esculpe — sustenta

Com gratidão,

Dan Dronacharya.