HARMONIA ENTRE YOGA E O BUDISMO
“Não sou nada, nada tenho e nada sei, mas eu já pensei que sabia e que tinha. O desconstruir não é fácil, mas é gratificante.”
A diversidade da vida e o desafio de aceitar essa multiplicidade
A harmonia entre Yoga e Budismo revela um caminho de aceitação, desapego e compreensão da impermanência da vida e do “eu”.
Olá, amados leitores,
Já pararam para observar a riqueza que existe na diversidade do nosso Universo?
E já tentaram reconhecer a própria singularidade nesse vasto caos que é a existência?
Ah, deste lado, eu garanto que tenho pensado bastante sobre este assunto. Amar é algo que parece ser simples, mas, na verdade, é muito mais desafiador do que podemos imaginar. Penso que sabemos pouco, ou quase nada, sobre a nobreza de amar verdadeiramente. Acho isso porque, para mim, amar é aceitar.
Agora, corte para mim outra vez. Venha aqui — convenhamos, aceitar os defeitos do outro é bem difícil, não é? Ora, senão — é muito mais fácil sermos mimados, desejarmos que os outros nos amem à nossa maneira do que imaginar que temos de tolerar alguém. Mas será que é assim que o amor funciona?
Vamos aprofundar-nos mais um pouco nesse tema. Eu sempre defendi a diversidade; deve ser porque nunca me senti igual a ninguém. Fato é que eu nunca acreditei na ideia de igualdade como algo rígido.
Sempre achei esse conceito de “igualdade” um tanto quanto ilusório, chega a ser crueldade. A diversidade, sim, é a chave, e hoje eu resolvi escrever sobre isso. Portanto, sugiro que você pegue um café, respire fundo e venha comigo em mais uma viagem magnífica pelo cosmos do saber.
“O eterno é a fuga da mente que teme a realidade.”
— Dan
Segundo o Budismo, tudo o que existe é impermanente, e o “eu” é, na verdade, uma grande ilusão. Uau! Que conceito forte, não? Ah, gente! Esse Sidarta Gautama era um sábio mesmo. Ele entendeu a essência da vida. O que eu quero que vocês percebam é que isso vai além de uma leitura superficial. Sinta o peso dessas palavras! Não se limite a ler com os olhos; sinta com o coração, com a mente aberta. Responda a essas reflexões sem medo e lembre-se: você está conversando consigo mesmo. Não minta para si. O próprio Buda disse que, ao compreendermos nossa verdade, seremos libertos. A sinceridade com a nossa mente é a solução para tantos dos nossos problemas. Vamos aferir isso?
“Tudo o que somos é resultado do que temos pensado (criação mental). Se um homem fala ou age com uma mente impura, o sofrimento o acompanha tão perto como a roda segue a pata do boi que puxa o carro. Se o homem fala ou age com a mente pura, a felicidade o acompanha como sua sombra inseparável.”
(Dhammapada 1-2).
Agora, pense um pouco: com que frequência você troca de pensamentos? Já reparou como nossos pensamentos mudam conforme começamos a olhar para dentro de nós mesmos? Isso acontece toda vez que compreendemos melhor algo que antes estava obscurecido. E, assim, deixamos para trás hábitos, ideias e até roupas que não nos servem mais (risos). Perceba que muitas das coisas que pensamos saber são apenas informações acumuladas. Repetimos sem questionar, sem sentir de verdade, sem apreciar o que está acontecendo à nossa volta. Tratamos a vida com superficialidade, ouvimos o outro pela metade e raramente nos entregamos de fato.
Amar é aceitar: a base da compaixão
Mas amar, meus amores, é deixar tudo isso ir embora. É deixar o que nunca foi seu de verdade partir. Sinta isso com todo o seu ser e depois me diga. Compreender essas questões irá despertar em si algo mais profundo: a ACEITAÇÃO GENUÍNA — dela vem o amor, aquele que nos rasga o peito em direção à alma, sabe? (risos).
Quando entendemos que cada pessoa tem a sua visão de mundo, começamos a parar de reclamar que os outros não nos entendem. Em vez disso, começaremos a dizer: “Eu entendo como você vê as coisas.”
E é aí que o amor começa de verdade.
A gente se perdoa e perdoa os outros. Perceberemos que também erramos, que também esquecemos e que também temos uma mente que vagueia e talvez fique mais perdida entre desejos e medos do que aqui, de verdade. Sendo assim, reconheceremos que somos falhos e necessitamos de compreensão.
Despertaremos, então, a compaixão. E, com isso, nossos relacionamentos melhoram, porque tudo isso faz parte do amor.
A paz começa a reinar, devagarinho, mas sempre constante, até que esse relacionamento esteja selado. Quando decidimos deixar de lado o nosso “eu” de minutos atrás, damos espaço para que nasça um novo “eu”. E, assim, a cada escolha, decidimos se esse novo “eu” vai ser melhor ou pior.
Essa simples atitude de permitir a mudança é o que cessará as discussões. Você consegue sentir estas palavras? Não as leia rasamente, mas as absorva. Tudo deve ser apreciado pela mente no banquete oferecido pelas relações humanas; o que não for compreendido deve ser reanalisado, aquilo que não é sobre saber amar deve ser descartado.
O papel do Yoga na observação da mente
A observação do fluir da vida é a chave para tudo enquanto vivemos. É assim que traçamos nosso caminho, nosso dharma. E onde começamos a treinar essa observação? Na respiração que o Yoga ensina.
Ao observar o ir e vir do seu respirar, começaremos a entender o ritmo da vida. Agora, preste atenção nos desejos que seus sentidos lhe trazem. Veja como os sentidos nos distraem e nos encantam.
E, ao mesmo tempo, perceba que é necessário ter essas experiências sensoriais para que, eventualmente, consigamos nos desapegar delas.
Só quando percebemos a ilusão por trás dos desejos é que podemos nos libertar deles. Não poderemos perder aquilo que nunca consideramos verdadeiramente nosso, certo?
“O nada ser, nada possuir e nada almejar é o nirvana da mente cansada.”
Nossos sentidos são importantes. Eles nos ajudam a perceber o mundo ao nosso redor. Mas deixar-se levar pelos desejos que eles despertam é prender-se ao externo, é encantar-se com o que é ilusório. Quando ficamos fascinados com o que vemos, ouvimos ou provamos, perdemos a conexão com o nosso interior. O discernimento é o que nos mantém no caminho, e esse discernimento só pode ser alcançado com uma mente livre de corrupções.
Afastar-se das ilusões não é uma tarefa fácil.
Mas, quando percebermos que estamos começando a nos desapegar dos desejos dos sentidos, a vida se tornará mais leve. Descobriremos que as respostas para as nossas perguntas estão dentro de nós, esperando para serem encontradas.
O total entendimento sobre a verdadeira harmonia entre Yoga e Budismo surge quando aceitamos a impermanência da vida, desapegamos do ego e despertamos para a compaixão genuína.
Por ora, é melhor deixarmos o Sol brilhar, trazendo clareza e serenidade aos nossos dias cansados.
Outro café, por favor.
—
Dan Dronacharya



Leia também; https://dandronacharya.com/retroceder-nao-e-regredir – https://dandronacharya.com/conversas-de-esplanadas
2 Comentários
Isabel Guia
Ainda não tenho capacidade para “perceber” estes pensamentos.
Tenho de estudar muito.
Dan
Olá querida Isabel, saudades tua minha querida! Vamos lá(risos)… É claro que tens capacidade, és formidável e sabes disso, toda a sabedoria está em nós, mas nós desacostumamo-nos a ouvi-la e com este “desacostume”, passamos a crer que não a temos. Volte ao teu interior minha linda, tu sabes como fazer isso. Amo-te, gratidão! OMMMMMM. :*